A canaliculite é uma inflamação, geralmente infecciosa, do canalículo lacrimal, que faz parte do sistema responsável pela drenagem das lágrimas. É uma condição incomum, mas conhecida por ser confundida com outros problemas oculares, o que pode atrasar o diagnóstico e prolongar os sintomas.
A canaliculite pode ser classificada principalmente em primária e secundária. A forma primária costuma estar ligada a infecção do canalículo. Já a forma secundária pode acontecer, por exemplo, após uso de plugues lacrimais ou outros dispositivos na via lacrimal. Em termos de evolução, também pode se apresentar de forma aguda ou crônica, sendo a crônica uma apresentação bastante lembrada na prática clínica.
Na maioria dos casos, a canaliculite está relacionada à infecção. O MSD cita Actinomyces israelii como causa clássica, mas outras bactérias, fungos e até vírus também podem estar envolvidos. Em alguns pacientes, a presença de plugue lacrimal retido também pode estar associada ao quadro. Além disso, podem se formar concreções ou dacriólitos, que favorecem obstrução e manutenção da inflamação.
Os sintomas mais comuns incluem lacrimejamento persistente, secreção mucopurulenta, vermelhidão mais localizada perto do canto interno do olho e leve sensibilidade na região acometida. Em alguns casos, pode surgir uma pequena “bolinha” ou espessamento próximo ao ponto lacrimal. A canaliculite costuma ser unilateral, o que também ajuda a levantar suspeita clínica.
A principal diferença é que a canaliculite costuma ser localizada e frequentemente afeta apenas um olho, com sinais concentrados na região do ponto lacrimal e do canto interno. Já a conjuntivite costuma causar vermelhidão mais difusa e, com frequência, pode acometer os dois olhos. Além disso, a canaliculite é uma condição frequentemente confundida com conjuntivite crônica, o que reforça a importância da avaliação especializada.
Quando não é reconhecida e tratada corretamente, a canaliculite pode se tornar crônica, levar a inflamação recorrente e favorecer obstrução persistente da via lacrimal. Como o diagnóstico tardio é comum, o paciente pode permanecer por muito tempo com desconforto, secreção e lacrimejamento, além de receber tratamentos inadequados para outras doenças que não são a verdadeira causa do problema.
O diagnóstico costuma ser clínico, feito na consulta oftalmológica a partir da história, dos sintomas e do exame da região lacrimal. O médico observa sinais como secreção localizada, vermelhidão medial, sensibilidade e alterações próximas ao ponto lacrimal. Em alguns casos, a expressão do canalículo ou exames complementares podem ajudar na confirmação e no planejamento do tratamento.
O tratamento depende da intensidade e da evolução do quadro. Medidas conservadoras podem incluir antibióticos tópicos, irrigação intracanalicular e suporte local. No entanto, muitos casos exigem abordagem cirúrgica para remover concreções e material infectado, porque isso costuma ser importante para resolver a infecção de forma mais definitiva. Em canaliculites crônicas ou recorrentes, a cirurgia frequentemente entra na conduta.
Os cuidados começam na avaliação pré-operatória, com confirmação do diagnóstico, análise da região acometida e revisão do histórico de saúde. Também é importante seguir as orientações médicas sobre medicações, higiene local e preparo para o procedimento. Como cada caso pode ter particularidades, o planejamento individual é essencial para que a abordagem seja segura e adequada. Essa necessidade de avaliação detalhada é coerente com a literatura, que destaca a canaliculite como uma condição frequentemente difícil de erradicar quando mal conduzida.
No pós-operatório, é fundamental seguir corretamente as orientações médicas, usar as medicações prescritas e comparecer aos retornos. O acompanhamento é importante para observar a evolução, controlar a inflamação residual e reduzir o risco de recorrência. Em geral, o seguimento ajuda a confirmar se a drenagem lacrimal e a região operada estão evoluindo como esperado.
A Dra. Fernanda Zorzin é oftalmologista com atuação em Plástica Ocular e Via Lacrimal, com foco em avaliação detalhada, atenção aos detalhes e resultados naturais. O atendimento é individualizado, buscando entender a causa da pálpebra caída e indicar o tratamento mais adequado para cada caso, seja cirúrgico ou não cirúrgico. Além da experiência na região dos olhos, o acompanhamento próximo e as orientações claras em todas as etapas ajudam a trazer mais segurança desde a consulta até o pós-operatório.